Podem os videogames serem considerados uma forma de arte?

Eu acredito que sim, mas primeiro, temos que definir o que é arte.

Pintura, escultura, música são formas de arte, mas eu aprendi que arte é aquilo que provoca em nós sensações e sentimentos.

Nostalgia, saudade, riso, tensão, lágrimas e felicidade. Se te faz sentir algo, é arte.

“Não acredito em você”. Acredite, há muito mais por aí do que jogos de “lutinha, navinha e carrinho”.

Jogos eletrônicos não só enchem nossos olhos e ouvidos também preenchem nossas mentes e corações com enredos e roteiros tocantes, instigantes e até aterrorizantes.

Já há muitos anos a indústria de games virou um negócio multibilionário, superando em muito o faturamento de Hollywood. Temos jogos nos quais o orçamento chega facilmente a 200 milhões de dólares, os chamados “Triple As”, que se fossem livros, seriam best-sellers, e se fossem filmes, seriam blockbusters. Seus nomes são conhecidos: Call of Duty, Fifa, NBA, Mario, GTA, Forza e Animal Crossing.

Esses são os jogos que tem dinheiro para criar suas próprias trilhas sonoras, contratar músicos famosos e ter como dubladores atores conhecidos. Às vezes fica bom, às vezes não, mas no geral agradam ao grande público. Assim como acontece no cinema.

Embora eu não goste da série God of War, a trilha sonora é excelente. A abertura de Final Fantasy VIII cantada em latim foi um marco na indústria, e isso lá na década de 90. É difícil não cantarolar a música de abertura de Wild Arms. Ou não se arrepiar com as frases introdutórias de Chrono Cross enquanto a música vai ganhando corpo.

Como é gostoso rir muito com qualquer jogo da série Lego (recomendo os do Batman), diversão para toda a família. Para um humor mais pastelão, temos a série Wario e Raving Rabbids.

O último capítulo lançado da série Metroid (Dread), trouxe a experiência de sentir tensão e pensar “Eu não quero entrar ali não. Tem que ter outro caminho”.

Você pode não ter jogado nenhum jogo da série Mario, mas provavelmente já ouviu o barulhinho de quando ele pega uma moeda.

E assim como o cinema, há muito espaço para arte. Há os grandes estúdios, mas há também os independentes, os “indies”.

Aqui vou citar diversos jogos que surgiram de pequenas empresas e conquistaram o mundo: Journey, Ori and the Blind Forest, Plant Vs. Zombies (onde as plantas do jardim protegem a casa de zumbis, é fofinho, confie), Braid, Minecraft, Spelunky, Fez, Stardew Valley, Shovel Knight (sim, um cavaleiro que usa uma pá em vez de espada), Into the Breach, Child of Light, Overcooked (quem não brigou com a esposa jogando esse jogo, levante a mão) e Among us.

Há jogos que nos causam a mesma sensação de ler um bom livro. A história chega ao fim, a missão está cumprida, mas quando sobem os créditos, fica aquela sensação de um bom amigo que foi embora.

Se você não chorou com o final de Valiant Hearts, vai lá, depila o coração e joga de novo.

Para finalizar, vou colocar algumas dicas para quem quer saber mais sobre a arte nos videogames:
1) Nautilus (YouTube) ótimas análises de jogos de diversas plataformas;
2) Cogumelando (YouTube) – nostalgia de games 8 e 16 bits – Nintendinho, Master System, SNES e Mega Drive;
3) Now Loading (podcast) – Já foi cancelado, mas vale a pena procurar os episódios;
e para quem consume conteúdo em inglês:
4) a playlist “Gaming For a Non-Gamer” do canal de YouTube: Razbuten.

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